Suplente destinou R$ 11,6 milhões a redutos de Josimar Maranhãozinho
Blog do Domingos Costa
As cidades integram as regiões do Alto Turi, Vale do Gurupi e Baixada Maranhense, e são apontadas como áreas de influência de Josimar de Maranhãozinho.
Durante o período em que exerceu o mandato como suplente na Câmara dos Deputados, em 2024, o ex-vice prefeito de Caxias e candidato a deputado federal Paulo Marinho Jr. (PL-MA) destinou parte de suas emendas parlamentares a redutos eleitorais de Josimar Maranhãozinho (PL-MA), titular da vaga.
Josimar é alvo da Polícia Federal (PF) em investigações sobre desvio de emendas. Durante o período que assumiu o mandato, Paulo Marinho Jr., que também é conhecido como Paulinho, enviou ao menos R$ 11,6 milhões em emendas parlamentares para cidades ligadas a Josimar, seus familiares e aliados políticos.
De acordo com dados orçamentários do Portal da Transparência, três cidades para a qual o então parlamentar destinou recursos públicos chama atenção. São elas:
• Zé Doca recebeu R$ 2,03 milhões em recursos federais divididos entre custeio hospitalar e transferências diretas. A prefeita da cidade, Flavinha Cunha (PL-MA), é irmã de Josimar Maranhãozinho;
• Maranhãozinho recebeu R$ 1,37 milhão em repasses. A cidade é o berço político de Josimar e motivou o nome pelo qual o parlamentar é popularmente conhecido;
• Centro do Guilherme recebeu pouco mais de R$ 1 milhão em emendas em 2024, de diferentes políticos. A cidade é historicamente administrado pela deputada federal Detinha(PL), esposa de Josimar e que já foi prefeita do município entre 2009 e 2017.
Dados do Portal da Transparência também identificaram outras cidades e regiões sob o guarda-chuva de influência de Josimar, como destino dos valores indicados por Paulo Marinho Jr. Foram elas:
• Cândido Mendes — R$ 1,5 milhão;
• Chapadinha — R$ 1,5 milhão;
• Palmeirândia — R$ 1,5 milhão;
• Governador Newton Bello — R$ 1,42 milhão;
• Santa Luzia do Paruá — R$ 1,35 milhão.
As cidades integram as regiões do Alto Turi, Vale do Gurupi e Baixada Maranhense, e são apontadas como áreas de influência de Josimar Maranhãozinho.
Paulo Marinho Jr. informou que quando assumiu a vaga “as indicações das emendas parlamentares já haviam sido realizadas”, ainda que todos os recursos estejam sob indicação do próprio Paulinho. Veja o posicionamento na íntegra:
“O deputado federal Paulo Marinho Junior informa que, no período citado, acabara de assumir o mandato na condição de suplente do deputado federal Josimar de Maranhãozinho.
Informa ainda que, ao assumir o mandato, as indicações das emendas parlamentares já haviam sido realizadas e que, ainda assim, por coerência, não iria sugerir alterações na destinação das emendas já escolhidas pelo deputado Josimar de Maranhãozinho e seu gabinete.”
Até a publicação desta matéria , não houve resposta deputado Josimar Maranhãozinho (PL-MA). O espaço segue aberto.
Paulo Marinho Jr. é filho do empresário e político Paulo Marinho, que também foi deputado federal pelo Maranhão. Paulinho, como também é conhecido Paulo Marinho Jr., é nascido em São Luís e foi eleito vice-prefeito da cidade de Caxias no Maranhão em 2020.
Em 2022, ele foi eleito como suplente de Josimar Maranhãozinho como deputado federal e, no final de 2023, assumiu a titularidade da vaga por cerca de quatro meses após Josimar pedir licença da vaga.
Foi neste período que o político destinou os valores mencionados acima. Dos recursos analisados, chama atenção ainda que o período em que assumiu como deputado federal, Paulinho não enviou emendas para Caxias, sua reduto eleitoral no Maranhão e município que tentou se eleger como prefeito em outubro de 2024.
– Josimar Maranhãozinho e investigações da PF
A destinação de emendas parlamentares por parte de Maranhãozinho já entraram no radar da Polícia Federal em algumas oportunidades. O parlamentar, inclusive, virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) e condenado pelo crime de corrupção passiva.
Neste caso, o parlamentar é apontado pelos investigadores como líder de um esquema de corrupção envolvendo a liberação de emendas parlamentares mediante pagamento de propina por prefeitos.
Segundo a investigação, o grupo exigia dos gestores o pagamento de uma taxa equivalente a 25% do valor total de cada emenda destinada ao município.
De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, prefeitos que se recusavam a pagar a vantagem indevida eram pressionados a aderir ao esquema.