O Brasil veste uma só camisa
Por Carlos Brandão
Realmente, a atmosfera muda. Um instante em que as diferenças ficam de lado e o Brasil fala uma só língua: a do orgulho de ser brasileiro. As bandeiras reaparecem nas ruas, a camisa da Seleção volta a circular com frequência e até quem normalmente não acompanha futebol acaba entrando no clima.
E isso vimos muitas vezes. Normal nos depararmos com quem só acompanha uma partida de futebol nessa época. O assunto surge no trabalho, na fila do supermercado, nas rodas de conversa e nos grupos de família. Durante algumas semanas, o país compartilha uma expectativa rara.
Talvez por isso a Copa represente muito mais do que um simples torneio: ela recria um sentimento de pertencimento difícil de encontrar em outros momentos. Em um país tão grande e diverso, nem sempre é fácil encontrar algo capaz de mobilizar tanta gente ao mesmo tempo.
Claro que as diferenças continuam existindo. E isso é natural. Mas, quando a bola rola, elas perdem espaço para algo maior: a sensação de fazer parte de uma mesma torcida.
Esse clima nos faz lembrar que nenhuma conquista importante acontece por acaso. O talento é fundamental, mas dificilmente é suficiente sozinho. Os resultados aparecem quando existe organização, confiança e disposição para trabalhar em conjunto. E, como sempre falamos, quando existe união e parceria.
E há algo dessa lógica no que vem acontecendo no Maranhão. Nos últimos anos, temos buscado construir um ambiente mais favorável ao crescimento, combinando investimentos, obras estruturantes e políticas públicas voltadas para quem mais precisa. Evidentemente que nem tudo está resolvido. Nenhum lugar consegue avançar sem enfrentar desafios. Ainda assim, é difícil ignorar mudanças que vêm ocorrendo em várias áreas.
Os números relacionados ao emprego, aos investimentos e à educação ajudam a contar parte dessa história. E o maranhense percebe isso quando uma nova estrada melhora o deslocamento dos moradores em uma região; quando uma oportunidade de trabalho surge mais perto de casa ou quando uma família consegue acessar serviços que antes estavam distantes da sua realidade.
Como toda democracia, claro que também convivemos com as divergências, críticas e disputas de opinião. Isso faz parte da vida pública. O debate é legítimo e necessário. Ao mesmo tempo, reconhecer avanços significa observar a realidade por inteiro.
A história do futebol brasileiro oferece bons exemplos disso. A seleção de 1970 tinha alguns dos maiores talentos que o esporte já produziu. Ainda hoje, muitos a consideram a melhor equipe de todos os tempos. Mas aquele time não ficou marcado apenas pela genialidade de Pelé, Gérson, Tostão, Jairzinho, Rivellino e tantos outros craques. Ficou marcado porque funcionava como um conjunto.
A partir deste sábado, milhões de brasileiros alimentam o sonho de conquistar a sexta Copa do Mundo. É uma expectativa que atravessa regiões e gerações.







